sábado, março 29, 2008

na falta de tudo, o antigo

resolvi vasculhar a velharia e mostrar coisas antigas, que escrevi há muito, quando eu era outro.

começando com um texto duma seriezinha chamada Cherchez la femme (pequenos retratos)

***

Seus olhos têm qualidade de noite: se mostram ao esconder, firmes como a coluna de luz da lua à minha janela. E não qualquer noite, algo nítido como o ar após a chuva. O corpo anda em linha reta, pois ignora as curvas do mundo, um quase flutuar. E, como a noite, é curiosa, argüi, questiona, te olha séria e depois sorri, como se tudo fosse uma grande brincadeira. Perguntariam-me: como qualidade de noite, se ela é dourada? Eu diria que não souberam a ver – tem muito de noite no sol, e tudo contém também aquilo que esconde

2 comentários:

Rita Rente disse...

people don't change. they may want to, they may need to. but never do.

Jacinta disse...

Oi,
passeando pelo seu blog vejo que "na falta e tudo, o antigo" e fico gratificada pois o seu "antigo" é novo para mim. Isso, no escrever, é bonito demais.
Vou ficar por aqui mais um pouquinho conhecendo suas palavras. E, com certeza, "tem muito de noite no sol"
Um abraço