terça-feira, setembro 29, 2009

pedido ao tempo

há de ser ouvido por mim
seus compassos escuros, no estalo,
e claros, no silêncio

há de ser absorvido nos poros
as gotas de esquecimento
e estrelas de memória
que correm em suas lacunas

há de ser construído uma enorme
estalactite ou castelo de areia,
iguais na forma
e distintos na pedra,
suas duas faces

há de ser exato nas mãos
e transbordante nos olhos,
provendo outra pele
a cada piscar de pálpebra
(acendendo e apagando o mundo,
testando sua continuidade)


há, por fim, de emprestar
sua constância aos meus gestos,
aos meus gritos,
e sua fluência à verborragia
de meu silêncio
(e que se desfaça em seu fio
outro fio, mas fino e frio,
que ligue meus olhos a todos os nomes)

2 comentários:

Roney Freitas disse...

gosto sempre da pedra que surge no caminho de seus textos. não é obstáculo. muitas vezes fluida, moldável, ao mesmo tempo firme, se solidifica, forma com o tempo. é pedra em desdobramentos. uma educação bruta que não se domestica lapidando, se forma com ela. é assim que cato sua pedrinhas sempre que as encontro (e guardo)

Guilherme disse...

mais um leitor! com a amandinha, são dois! que bom que sempre passam por aqui