quarta-feira, junho 30, 2010

tristeza

Quando a tristeza escorre pelas calhas,
Bueiros, sarjetas, desce dos portões e janelas,
Envolve os postes, explode o amarelo das lâmpadas,
Tristeza como a chuva...

A rua torna-se rio caudaloso, a tristeza
Carrega os carros, motos, lixeiras, ambulantes,
Os cachorros sem dono, os motoristas impotentes,
(Mãos no volante, sem nada guiar...)

Este rio que engole o próprio caminho,
Estranhamente não deixando rastros,
Apagando rostos,
Um dia chega ao mar,
Tudo chega ao mar,

A violência do caminho para na calma
Das ondas, que completam seu ciclo
Embaixo de um céu estrelado, ou dum céu cinza,
Ou de chuva ou pôr-do-sol,
Mas calmo,

A calma violenta e serena do mar.

2 comentários:

Amanda Ferreira disse...

Guilherme poeta.

Gorette disse...

Lindo lindo seu poema..