domingo, setembro 05, 2010

arco

se pensar
na saudade
qual um arco,
como já foi dito:


uma linha que,
próxima,
logo se afasta
e depois volta.

não um círculo,
ao mesmo ponto,
infinito por ser o mesmo
e estar em todo lugar,
mas um próximo que
distancia
e que retorna diferente,
trazendo coisas novas.

***

Mas também o arco,
ao contrário,
começa longe, vem,
e se afasta,
(fastio)
para depois se aproximar
(mas os pontos infinitos
são os mesmos e impossíveis
de definir)
uma matemática do perto e do longe,
longe de ser exata.

e os espaços
onde se intercalam
(a saudade e o eu,
a saudade e o estar)
são espaços
de alegria, são de vontade.

tão simples e complicado como
definir, no meio da noite,
onde se colocar neste arco,
como definir qual fardo
carregar,
qual fardo deixar para trás
de presente à lembrança,

como lançar um arco no meio da escuridão
(da noite negra ou da cegueira)
e nunca saber qual o alvo.

3 comentários:

Roney Freitas disse...

...tenho saudades de você (difícil confessar este sentimento, mas não resisto).
Te leio e sossego um pouco (sempre bom vir te buscar).

um abraço

Mensageiro Literário disse...

Nossa, que lindo!

Nunca havia pensado como arcos, sempre como paralelas que seguem a linha até o horizonte. Mas realmente, os arcos parecem ser mais orgânicos, parecem ter mais vida, talvez por não precisarem de infinito.

viniferez disse...

Voce que escreveu?? Tem Facebook ou algo assim?? Estou à procura de poesias e obras atuais como a sua!! Abraços Vinicius