domingo, abril 01, 2007

da criação

Depois de meses sem escrever uma linha de algum conto, ontem escrevi quatro páginas à partir de uma idéia que há muito voava pela cabeça. Um parênteses - idéias sempre são muitas, é questão de prestar atenção em conversas de amigos, em histórias que te contam, pessoas na rua, filme, música, tudo é um ponto de partida. E o problema da idéia é que é apenas isso, um ponto de partida. O resto é trabalho, onde tenho muita dificuldade. Exige disciplina, disponibilidade, um certa tipo de entrega. Como uma alternativa ao mais fácil, estou tentando buscar o outro, nas últimas coisas que escrevi. O conto que estou escrevendo é sobre a família de uma garota de 14, 15 anos, e é narrado em primeira pessoa. Será que consigo escrever as impressões de uma garota adolescente? Provavelmente não, mas o que vale é a tentativa, é a parte divertida, é onde me vejo crescendo, sendo obrigado a expandir. E esta idéia partiu de uma conversa, pesquei uma história e fiquei com ela na cabeça. O problema é que era essencialmente uma história leve, cheio de leveza, e quando comecei a pensar sobre, a resolução do conto seria em torno disso, algo leve, quase edificante. E não quero que acabe assim, quero que seja mais denso. Então a tentativa agora é de deixar que essa história ganhe peso, gradualmente, uma família vista por uma adolescente. Será que consigo? Acho que não =P

Me perdi enquanto escrevia. O que queria dizer é que a criação é realmente algo mágico. Fico contaminado por um conto, enquanto o escrevo. Parece que o mundo começa a passar por um filtro, como se nossos olhos se tornasse um funil que tenta resumir a vivência cotidiana em palavras de um outro que não existe, mas que vai ganhando corpo e páginas.

Enfim, se no final das contas eu não ficar satisfeito com o resultado do conto, ou não conseguir alcançar o que estou almejando com ele, pelo menos ele serviu para me acordar de meses de apatia (literariamente falando), me lembrou como a criação causa uma inquietação que é ao mesmo tempo prazerosa e dolorosa.

2 comentários:

Celinho disse...

Sei bem como é isso.. as vezes as ideias andam em algum ceu que nao é nosso e so queremos alcançar algo que parece proximo de nos, como aquelas nuvens branquinhas.. E qdo aparece a sensaçao é incrivel como se fosse um transe de nos mesmos..
Espero que a coisa role como vc gostaria, ou melhor!
Abç

Cecília disse...

Eu adoro falar sobre a adolescencia, pq apesar de leve, ela é extremamente densa...
Para quem já passou por ela, os problemas adolescentes parecem tão simples, mas para quem os vive, completamentamente duros, complexos e densos...
Tempestades em Copos de água...