quarta-feira, março 28, 2007

Do sono

Desde algum tempo
(os dias para mim são movediços,
difícil defini-los),
já não posso dormir tranquilamente.

À noite, sons de passos enchem
meu quarto de presença impessoal
e pela janela entram sirenes
que conduzem meus sonhos às pedras.

De manhã o sol incendeia a cama
e enchem meus olhos de vermelho.
Os pássaros fazem alvoroço
e brincam de ser galos.

Provável que os motivos
não sejam apenas exteriores.

Provável que a noite seja
apenas um estado de espírito
e que a manhã nada mais
que um golpe de estado.

E que as sirenes que me chamam
de certa forma voam em mim
e os pássaros são flechas
contra um silêncio forçado.

Um comentário:

Cecília disse...

poutz, que foda... vc continua um dos meus escritores favoritos ;)