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quinta-feira, julho 30, 2009

frase #2

cada flecha atirada para o alto sempre encontra um alvo

frase #1

quando uma porta se fecha, uma janela se cega

segunda-feira, outubro 20, 2008

tragédias

a cobertura midiática de eventos criminosos é sempre espantosa. Principalmente de eventos onde a identificação de todos é mais fácil: um casal comum, com um fim de namoro corriqueiro, mas que uma das partes não aceita tão bem. Todo mundo pode se relacionar a isto. Mas, de repente, algo extremo - reféns, ameaça, morte. Com essa parte não nos identificamos, ao menos conscientemente, ou queremos pensar que não. Esse é o ponto: qualquer um é capaz de atos extremos. Qualquer um. Uma frase do Terêncio, dramaturgo romano de muito muito tempo atrás, sempre volta a minha mente, sempre causa um efeito de estar diante de muita sabedoria: sou humano, nada do que é humano me é estranho.

A sensação que fica, no final das contas, é que toda essa cobertura da mídia é a tentativa de dar sentido a algo tão díspar, tão "desumano". Admitir que o mundo é imprevisível é amedrontador. Admitir que o ato dele é totalmente humano também é amedrontador. É preciso pintá-lo como um monstro, como alguém que nunca vamos ver ao olharmos num espelho.

quarta-feira, outubro 15, 2008

o lugar que moro

Qual a mensagem dum apartamento sem móveis? Um apartamento com caixas cheio de coisas que não se sabe o dono, que não tem lugar, mas que ocupa o mesmo espaço a mais de dois anos? Uma gaveta sem cômoda ou armário que guarda dvds, uma mesa de bar segurando uma televisão, uma outra caixa coroada por um video-game.

Um apartamento sem alma é um lugar provisório. Não há móveis porque a qualquer momento pode se ir embora, esse lugar é um limbo, um espaço transitório entre o antes e o depois.

Mas o antes é algo que nem se lembra mais, de tão longe. O depois é ainda mais indefinido, uma névoa cinza, ou azul ou negra ou branca, qualquer cor que represente o dia.

Moro num lugar pronto para a mudança - se decidir ir embora agora, tudo é muito fácil de se arrumar. Moro num lugar que diz: não viemos pra ficar, não sabemos pra onde ir.

sexta-feira, setembro 26, 2008

para ela

Faz alguns meses que não escrevo aqui. Nunca foi algo que me tirou o sono, mas talvez valeu um bocejo a mais ou a menos - praticamente parei de escrever e o blog parado é um dos sintomas (ou consequências). Mas, lendo o blog da minha querida (que achava também estar parado), vi que ainda há motivos para escrever.

Claro que não me veio nada genial à mente, nem uma enchurrada de poesia inundou meu quarto e levou meus livros pelo bueiro. Claro que não vou perder noites de sono nem os sonhos vão perder sua qualidade de noite, escuros em seus mistérios de memórias sem começo nem meio.

Mas o importante é que há um motivo muito claro e simples e bonito e justo e exato e etc - escrever algo porque ela gosta das minhas palavras, escrever algo porque entre tantas, ela escolheu as minhas.

então escrevo esse grande nada, cheio de tanta coisa.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

na falta de tudo, nada

O silêncio já acompanha o tempo por meses. Quando há falta do novo, o velho se cansa. As palavras, gastas por repetição, ficam fora de foco. É olhar o mundo como se ele fosse um álbum de fotos antigas. É esperar que uma estação chegue antes do tempo.

(esses dias os pássaros cantaram na janela, e só assim percebi sua ausência de meses)


espero que tudo isso seja como aves migratórias.

quarta-feira, novembro 14, 2007

os sinais

Impossível não ver em cada texto um recado. Nem imaginar que os gestos carregam tanto mais do que o ar movido em seu breve movimento. Há símbolos demais no mundo. Uma árvore, se vista na rua, é uma árvore. Se vista numa fotografia, ao laod de uma criança, é a vida, suas raízes, o passado e o futuro. Anoto um trecho qualquer em meu caderno. Posso apenas ter gostado do som daquelas palavras postas umas atrás das outras. Mas se divido isso com alguém, pode ser o sinal da minha felicidade ou tristeza, do meu desespero escondido que se mostra como a ponta de um iceberg. Os próprios icebergs se tornaram outras coisas que não apenas um imenso bloco de gelo (que até pouco tempo atrás era eterno). E esse texto aqui não é signo de nenhuma outra coisa, apenas uma constatação de que o mundo está cada vez mais pesado, cada coisa está se multiplicando em mil outras.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Deus e o diabo na terra da morte

Olha só, fizeram a contagem de quantos Deus e o diabo mataram, segundo a Bíblia:

http://pedrodoria.com.br/2007/08/24/quem-matou-mais-deus-ou-sata/

segunda-feira, agosto 13, 2007

respondendo aos comentários (na verdade, apenas um)

A diferença de aprender e desaprender é, neste caso, questão de linearidade - aprender tem uma conotação de ir para frente. Desaprender seria dar alguns passos para atrás, refazer algo.

lições

desaprendendo o guilherme que roubou tudo aquilo atrás do nome

terça-feira, julho 03, 2007

Cansaço

Que fazer quando se está cansado disto tudo? Arrumar as malas, ir embora no primeiro ônibus que deixar a cidade?

("a cidade não mora mais em mim")

Reinventar-se dum jeito que ninguém mais te reconhecerá, e sentir-se sozinho ou reinventar-se num modo de potencializar o eu?

Mas o cansaço atinge até o pensar.

quinta-feira, junho 28, 2007

reflexões sobre uma chamada do Globo Repórter

o tema da semana é saúde, mas minha reflexão (na verdade uma questão) apenas tangencia o assunto:

Alguém já viu ou ouviu falar de alguma mulher que sofreu infarto?

domingo, junho 17, 2007

crenças

Não acredito em nenhum deus que não crê em surpresas...

sexta-feira, maio 18, 2007

interrogação

meu teclado, com algum problema, não tem ponto de interrogação. é como se eu não pudesse fazer perguntas, sem ter certeza nenhuma...

quarta-feira, maio 02, 2007

Boba confissão

Confesso, não tenho nada para dizer de concreto. É fato, ultimamente ando muito abstrato. Para entrar sem cachorro no mato, é preciso saber não andar reto.

sexta-feira, abril 27, 2007

música?

Me meti a fazer música ultimamente. A sensação é de que fiz as pazes com alguma coisa dentro de mim, que estava dormida. Tento muitas coisas: escrevo, tiro fotos, faço faculdade de cinema. Mas sempre achei que, das artes, a que se comunica mais diretamente com os sentimentos é a música. Ela é abstrata, outra linguagem, tanto para dentro como para fora, seja para ouvir ou fazer, se expressar. E agora ouço as musiquinhas que ando fazendo e pareço conversar comigo mesmo. Pensamentos concretos dialogando com sentimentos abstratos, ouço meu pensamento, vertido em música. É estranho. É estranho e bom.



sábado, abril 21, 2007

"de noite pra quem você é uma luz embaixo da porta?"

o sol me acordou, me tocando no ombro e avisando que o dia há muito havia começado. o corpo pesando mais que o normal, reflexo dos excessos. qual excesso é mais leve? qual memória pode ser reconfortante? qual dia desfaz a noite em mil pássaros? ou em água? ou em cabelos? ou só o mesmo lençol quente de muitos sóis e não de corpos...

quarta-feira, abril 11, 2007

o susto

Quanto mais conheço as pessoas, menor é a sensação de saber do mundo. O que poderia virar desespero na verdade vira lição de humildade. Me coloco numa posição de questionar e observar, esperando que algo dê um sinal, que um farol se acenda no horizonte, ou qualquer gota de iluminação me atinja a testa. Mas ainda sim fica o gosto do desentendimento, o medo do não saber o que esperar, o receio da surpresa. E a esperança que essa surpresa se torne, algumas vezes, maravilhamento.

quarta-feira, abril 04, 2007

da impulsividade 2

O vento, para se acalmar, precisa derrubar cercas, árvores e postes, mudar a rota dos pássaros e jogar as ondas sobre as pedras e o calçadão.

terça-feira, abril 03, 2007

da impulsividade

A impulsividade deixa um gosto de lâmina na boca. A língua, sangrando, não consegue proferir nenhuma palavra audível. Os músculos tensos da face formam uma expressão desconhecida, como se o cérebro mandasse sinais tão rápidos que os músculos do corpo parecem não conseguir reagir, mas é você que não percebeu, tudo foi mais rápido que olho. A mão de um prestidigitador que não entretem, mas que te dá um tapa no rosto.