sexta-feira, dezembro 11, 2009

poema-qualquer-coisa-work-in-progress

alguns escuros segundos
de silêncio

meus olhos percorrendo
seu rosto
colhendo semelhanças e
diferenças

até chegar nos olhos dela
(ela fazia o mesmo,
me percorria)

perguntas banais: como está a vida?
o trabalho, os dias ainda passam
como os dias passavam antigamente?

(noites que nunca foram tão azuis
como antes,
os dias sem sol que nunca foram cinzas,
o antes que nunca mais haverá,
todas as perguntas feitas que
não esperam respostas,
poças de chuva que explodem para qualquer
pé estranho)

nela havia algo de verão,
apesar do vento e da chuva
que parecia nascer do asfalto

e o hesitante tchau,
mãos recolhidas, olhos baixos,
sorrisos sinceros, pesarosos

(e a estranha sensação de totalidade,
suspensão do mundo do tempo,
da dualidade,
bom e ruim, como uma imensa
bola azul feita
de verão, chuva e vento)

4 comentários:

Amanda Ferreira disse...

tão bonita essa junção simples das coisas. um dia hei de reencontrar essa linha de escrita.

Amanda Ferreira disse...

ah, e é claro, o amor é work-in-progress.

Anônimo disse...

puta que o pariu, seus poemas são lindos. Que força nas palavras, no ritmo dos versos, nesses entreparênteses carregados de sentimento.

Mensageiro Literário disse...

O que você escreve consegue me tirar o fôlego!

Versos soltos, livres ao vento.
Ao mesmo tempo, tão poderosos e tão singelos.
Por favor escreva sempre para eu encantar-me. :D