"De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra - como um lápis numa península".Manoel de Barros em Livro sobre Nada
I met a friend of spirit/ He drank and womanized/ And I sat before his sanity I was holding back from crying/ He saw my complications/ And he mirrored me back simplified/ And we laughed how our perfection/ Would always be denied/ "Heart and humor and humility"/ He said "Will lighten up your heavy load"/ I left him for the refuge of the roads/ I fell in with some drifters/ Cast upon a beachtown Winn Dixie cold cuts and/ highway hand me downs/ And I wound up fixing dinner/ For them and Boston Jim/ I well up with affection/ Thinking back down the roads to then The nets were overflowing/ In the Gulf of Mexico/ They were overflowing in the refuge of the roads/ There was spring along the ditches/ There were good times in the cities/ Oh, radiant happiness/ It was all so light and easy/ Till I started analyzing/ And I brought on my old ways/ A thunderhead of judgment was/ Gathering in my gaze/ And it made most people nervous/ They just didn't want to know/ What I was seeing in the refuge of the roads/ I pulled off into a forest/ Crickets clicking in the ferns/ Like a wheel of fortune/ I heard my fate turn, turn turn/ And I went running down a white sand road/ I was running like a white-assed deer/ Running to lose the blues/ To the innocence in here/ These are the clouds of Michelangelo/ Muscular with gods and sungold/ Shine on your witness in the/ refuge of the roads/ In a highway service station/ Over the month of June/ Was a photograph of the earth/ Taken coming back from the moon/ And you couldn't see a city/ On that marbled/ bowling ball/ Or a forest or a highway/ Or me here least of all/ You couldn't see these cold water restrooms/ Or this baggage overload/ Westbound and rolling taking/ refuge in the roads
Ela acredita nos sonhos. Não o óbvio, que os sonhos carregam significados que dizem respeito a algo muito fundo em você, o submerso emergindo quando se deita no escuro do ser. O sonho - o ser não sendo, o quando sem tempo. Ela conta os sonhos como fatos, fotos que são quase inegáveis, o ver não vendo. E quando acorda, o fluxo das imagens não param, só se transformam em palavras vivas, uma após a outra, sonhos vividos. E se alguém matou outro no sonho, é um assassino na vida real. Se alguém pintou um quadro, é um artista na vida real. Mas quando a vida real é um pesadelo, ela gosta de pensar que os sonhos só sabem mentir.
Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol Entre o escancaro e o contido, eu te pedi sustenido e você riu bemol Você só pensa no espaço, eu exigi duração Eu sou um gato de subúrbio, você é litorânea
Quando eu respeito os sinais vejo você de patins vindo na contramão Mas quando ataco de macho, você se faz de capacho e não quer confusão Nenhum dos dois se entrega, nós não ouvimos conselho Eu sou você que se vai no sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva, o inseto e a flor Um torce pra Mia Farrow, o outro é Woody Allen Quando assovio uma seresta você dança havaiana
Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, scarpin, soiré Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho
A paz é feita num motel de alma lavada e passada Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada Nos dias de carnaval aumentam os desenganos Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor Eu sinto muita saudade, você é contemporânea Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea
Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho
The city exulted, all in flowers. Soon it will end: a fashion, a phase, the epoch, life. The terror and sweetness of a final dissolution. Let the first bombs fall without delay.
Fazer o que seja é inútil. Não fazer nada é inútil. Mas entre fazer e não fazer mais vale o inútil do fazer. Mas não, fazer para esquecer que é inútil: nunca o esquecer. Mas fazer o inútil sabendo que ele é inútil e que seu sentido não será sequer pressentido, fazer: porque ele é mais difícil do que não fazer, e dificil- mente se poderá dizer com mais desdém, ou então dizer mais direto ao leitor Ninguém que o feito o foi para ninguém.