segunda-feira, dezembro 01, 2008
segunda-feira, outubro 20, 2008
tragédias
a cobertura midiática de eventos criminosos é sempre espantosa. Principalmente de eventos onde a identificação de todos é mais fácil: um casal comum, com um fim de namoro corriqueiro, mas que uma das partes não aceita tão bem. Todo mundo pode se relacionar a isto. Mas, de repente, algo extremo - reféns, ameaça, morte. Com essa parte não nos identificamos, ao menos conscientemente, ou queremos pensar que não. Esse é o ponto: qualquer um é capaz de atos extremos. Qualquer um. Uma frase do Terêncio, dramaturgo romano de muito muito tempo atrás, sempre volta a minha mente, sempre causa um efeito de estar diante de muita sabedoria: sou humano, nada do que é humano me é estranho.
A sensação que fica, no final das contas, é que toda essa cobertura da mídia é a tentativa de dar sentido a algo tão díspar, tão "desumano". Admitir que o mundo é imprevisível é amedrontador. Admitir que o ato dele é totalmente humano também é amedrontador. É preciso pintá-lo como um monstro, como alguém que nunca vamos ver ao olharmos num espelho.
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Guilherme
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22:08
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quinta-feira, outubro 16, 2008
minha atual cruz - as muletas
minha atual cruz - as muletas (my cross)
Originally uploaded by Guilherme C. Freitas
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14:06
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quarta-feira, outubro 15, 2008
o lugar que moro
Qual a mensagem dum apartamento sem móveis? Um apartamento com caixas cheio de coisas que não se sabe o dono, que não tem lugar, mas que ocupa o mesmo espaço a mais de dois anos? Uma gaveta sem cômoda ou armário que guarda dvds, uma mesa de bar segurando uma televisão, uma outra caixa coroada por um video-game.
Um apartamento sem alma é um lugar provisório. Não há móveis porque a qualquer momento pode se ir embora, esse lugar é um limbo, um espaço transitório entre o antes e o depois.
Mas o antes é algo que nem se lembra mais, de tão longe. O depois é ainda mais indefinido, uma névoa cinza, ou azul ou negra ou branca, qualquer cor que represente o dia.
Moro num lugar pronto para a mudança - se decidir ir embora agora, tudo é muito fácil de se arrumar. Moro num lugar que diz: não viemos pra ficar, não sabemos pra onde ir.
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Guilherme
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03:21
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segunda-feira, setembro 29, 2008
noite
Considerei o riso entre estranhos
Uma dádiva divina,
Como se contivesse mais do que se via
(como se fosse possível a água,
Ao transbordar de um copo,
Não escorrer pelas laterais
E sim subir
E continuar subindo,
Uma coluna de firme fragilidade)
Considerei este riso e mais:
Os meio-abraços,
Confissões com hálito de álcool,
Gestos desmedidos
De leveza premeditada
mas as metáforas
mataram a noite
Tudo que eu escondia
Apareceu em meu olhar
Quando o encontrei num
Esfumaçado espelho:
Não me reconheci
E pensei estar vendo o mundo
Ao contrário
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Guilherme
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19:45
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sexta-feira, setembro 26, 2008
para ela
Faz alguns meses que não escrevo aqui. Nunca foi algo que me tirou o sono, mas talvez valeu um bocejo a mais ou a menos - praticamente parei de escrever e o blog parado é um dos sintomas (ou consequências). Mas, lendo o blog da minha querida (que achava também estar parado), vi que ainda há motivos para escrever.
Claro que não me veio nada genial à mente, nem uma enchurrada de poesia inundou meu quarto e levou meus livros pelo bueiro. Claro que não vou perder noites de sono nem os sonhos vão perder sua qualidade de noite, escuros em seus mistérios de memórias sem começo nem meio.
Mas o importante é que há um motivo muito claro e simples e bonito e justo e exato e etc - escrever algo porque ela gosta das minhas palavras, escrever algo porque entre tantas, ela escolheu as minhas.
então escrevo esse grande nada, cheio de tanta coisa.
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00:54
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terça-feira, maio 20, 2008
velharias (cherchez la femme)
Uma surpresa que ainda não aconteceu. Vento que precede chuva ou uma carta sem destinatário, o remetente rabiscado como se a casa ainda fosse esboço. Um arquiteto não saberia projetar esta casa. Talvez um escultor brincando com areia e água do mar. Talvez uma criança empinando pipa, alguém ouvindo um outro, uma música quieta e incessante que ainda não sei cantar. Talvez ela, mesmo que eu espere e espreite esquinas, será uma surpresa.
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00:59
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segunda-feira, abril 28, 2008
velharias (poema que escrevi para um amigo -2006)
poema que escrevi para um amigo
quais migalhas de pele
te alcançaram, e,
na confusão dos teus poros,
se confundiram com a tua própria,
folhas de outono
perdidas entre o ciclo das estações?
qual o círculo vertiginoso da
rotina, fixa, que esconde
seu movimento na mobilidade
dos olhos distantes e secos?
talvez os passos sejam esses
dos seus pés de pássaro
(a asa ou o vento quebrado?)
ou da mão hesitante que
tenta derrubar o vínculo
da violência silenciosa
e sutil,
mas que pára na delicadeza
do tempo e da espera.
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Guilherme
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22:09
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domingo, abril 20, 2008
velharias
vontades # 3
quando do chão brota o raio
dos teus passos curtos
- pequenos sustos em lugares escuros –
cria-se em minha memória
um silêncio exato –
logo cessado por meu suspiro,
uma longa onda a se quebrar
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Guilherme
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18:51
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terça-feira, abril 15, 2008
mais velharia
pedido ao tempo
há de ser ouvido por mim
seus compassos escuros, no estalo,
e claros, no silêncio
há de ser absorvido nos poros
as gotas de esquecimento
e estrelas de memória
que correm em suas lacunas
há de ser construído uma enorme
estalactite ou castelo de areia,
iguais na forma
e distintos na pedra,
suas duas faces
há de ser exato nas mãos
e transbordante nos olhos,
provendo outra pele
a cada piscar de pálpebra
(acendendo e apagando o mundo,
testando sua continuidade)
há, por fim, de emprestar
sua constância aos meus gestos,
aos meus gritos,
e sua fluência à verborragia
de meu silêncio
(e que se desfaça em seu fio
outro fio, mas fino e frio,
que ligue meus olhos a todos os nomes)
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Guilherme
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16:50
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sábado, março 29, 2008
na falta de tudo, o antigo
resolvi vasculhar a velharia e mostrar coisas antigas, que escrevi há muito, quando eu era outro.
começando com um texto duma seriezinha chamada Cherchez la femme (pequenos retratos)
***
Seus olhos têm qualidade de noite: se mostram ao esconder, firmes como a coluna de luz da lua à minha janela. E não qualquer noite, algo nítido como o ar após a chuva. O corpo anda em linha reta, pois ignora as curvas do mundo, um quase flutuar. E, como a noite, é curiosa, argüi, questiona, te olha séria e depois sorri, como se tudo fosse uma grande brincadeira. Perguntariam-me: como qualidade de noite, se ela é dourada? Eu diria que não souberam a ver – tem muito de noite no sol, e tudo contém também aquilo que esconde
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19:49
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quarta-feira, março 05, 2008
na falta de tudo, trechos
Os detetives selvagens, de Roberto Bolaño (os personagens falam sobre um sonho da ex-namorada):
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12:35
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terça-feira, fevereiro 26, 2008
na falta de tudo, nada
O silêncio já acompanha o tempo por meses. Quando há falta do novo, o velho se cansa. As palavras, gastas por repetição, ficam fora de foco. É olhar o mundo como se ele fosse um álbum de fotos antigas. É esperar que uma estação chegue antes do tempo.
(esses dias os pássaros cantaram na janela, e só assim percebi sua ausência de meses)
espero que tudo isso seja como aves migratórias.
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14:09
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terça-feira, dezembro 18, 2007
Hugo Gutierrez Vega (quem se habilita a comprar um livro dele diretamente do México?)
Análisis de una situación doméstica
Como si no supieras que la noche
toca ya en los antiguos ventanales,
como ignorando al astro que destruye
las risas de la tarde,
suavemente
persistes en la feliz tarea
de remendar las cosas, ocultar deterioros
y presentar las almas de la casa
"rotitas, pero limpia", preparadas
para la prueba de los buenos días.
Tejes el entramado de este clima
donde crecen los seres. Nunca notas
que esta bella y terrible serpiente de las horas
se va enroscando al fondo del pasillo.
Me dices con razón que es más bien bella
(nuestro miedo está al fondo del segundo adjetivo).
Pasan los días, se cierran los caminos
y nuestra condición construye puentes.
Corre el río, la tarde se diluye,
el crepúsculo invade las ventanas,
los bellos adjetivos reconstruyen
los cambios de la luz, se multiplican
los signos de la paz y tú sonríes
?esa sonrisa nos levanta el alma?
cuando la tarde oculta sus miradas.
Y como nada pasa, izamos velas
para cruzar el golfo de la noche.
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Guilherme
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10:00
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quarta-feira, dezembro 12, 2007
O descanso do fotógrafo
“Meu filho mais velho não vejo faz anos. Já é homem, já. Trinta anos, tem filho. Sim, sim, conheço meu neto. Mas não vou atrás. Ele sabe onde moro, quando quer, me procura. Culpa da minha mulher, se meteu com um homem barra-pesada. É isso aí, me deixou. Paguei pensão e tudo. Para homem você paga pensão até os vinte um, para mulher até os dezoito. Engraçado, né? É ao contrário. E se fizer faculdade, tem que pagar os estudos até o fim. Não, ele não fez não. Depois de um tempo, que ela me deixou, ela começou a ligar, me pedindo ajuda pra se livrar do barra-pesada. Mas eu não ajudei não, o que que eu ia fazer? E por causa dele eu não via meu filho. Mas teve uma vez que eu liguei pra ela, falando que ia lá ver o moleque. Ela disse que o cara estava lá, que era pra eu não ir. Eu disse que ia, não me importava com o cara, que eu ia ver meu filho de qualquer jeito. Chamei um amigo que era policial. Hoje é advogado, faz tempo que não vejo também. Ele ficou na esquina, segurando a arma do lado da cintura. Disse que dali, se o cara tentasse qualquer coisa era pá!, tiro no meio da cabeça. Fui até o portão e fiquei gritando o nome do meu filho, até que ele veio. O barra-pesada nunca apareceu. Esse meu amigo era gente boa, olha o que ele fez por mim. Eu devia procurar ele.”
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Guilherme
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21:31
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assunto: literatura
terça-feira, dezembro 04, 2007
Paint como eu pinto?
Gostaria de dar uma dica: o blog do Vitor Brandt - Paint como eu pinto?
Desenhos feitos no antigo e saudoso paintbrush, usando o mouse e nada mais.
muito bom!
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Guilherme
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16:38
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na falta de palavras...
Como ando escrevendo pouco, muito pouco, resolvi adicionar um paliativo: aí do lado vocês podem achar coisas que ando escutando no last.fm
façam bom proveito
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Guilherme
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11:12
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assunto: música
quarta-feira, novembro 21, 2007
Conto de natal
Muitos imaginam poder voar e deixam janelas para abraçar o chão.
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Guilherme
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21:09
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assunto: microconto
quarta-feira, novembro 14, 2007
os sinais
Impossível não ver em cada texto um recado. Nem imaginar que os gestos carregam tanto mais do que o ar movido em seu breve movimento. Há símbolos demais no mundo. Uma árvore, se vista na rua, é uma árvore. Se vista numa fotografia, ao laod de uma criança, é a vida, suas raízes, o passado e o futuro. Anoto um trecho qualquer em meu caderno. Posso apenas ter gostado do som daquelas palavras postas umas atrás das outras. Mas se divido isso com alguém, pode ser o sinal da minha felicidade ou tristeza, do meu desespero escondido que se mostra como a ponta de um iceberg. Os próprios icebergs se tornaram outras coisas que não apenas um imenso bloco de gelo (que até pouco tempo atrás era eterno). E esse texto aqui não é signo de nenhuma outra coisa, apenas uma constatação de que o mundo está cada vez mais pesado, cada coisa está se multiplicando em mil outras.
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Guilherme
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20:09
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segunda-feira, setembro 17, 2007
fotos!!!
Fotos tiradas numa looooonga madrugada do Aeroporto Internacional de Cuiabá
http://s183.photobucket.com/albums/x70/guilecf/Aeroporto%20de%20Cuiaba/
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Guilherme
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21:11
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assunto: fotografia
