segunda-feira, novembro 20, 2006

disfarce

Agora vejo os sentimentos como pequenas bolas de argila, totalmente maleáveis. Girando em uma placa, os moldo conforme a vontade do momento. A raiva pode se transformar em compaixão, a paixão pode se transformar em carência, é só aplicar o tempo a qualquer fórmula e você obtém o que se quer (mais do que isso, o que acha ser necessário). Será isso um modo de se iludir e negar que o sentimento pode ser massa bruta inquebrável? A menor partícula indivisível que pode tomar proporções gigantescas? Não sei, sei que os moldo. A pedra no meio do meu caminho é de argila.

7 comentários:

tereza disse...

fiquei aqui pensando...
O que se necessita é maior do que o que se quer?
O que se necessita não é o que se quer?
Como saber o que é necessário se não através do querer ou através de uma fé qualquer em um sinal ou opinião exterior?
Enfim, pra não pensar alto sozinha!!! :p
Penso isso também dos sentimentos, se é que posso te entender, mais que isso, que eles estão, em nós, moldáveis. Eu faço em mim um formato compatível com o outro, como que para diminuir um atrito e/ou facilitar um encaixe. Me cabe também porque moldei e moldei porque achei que me cabia...coisa assim!
é possível entender alguma coisa do que eu falo!!!??? :p
pensei que ia te ver no aniversário do Marcelo :(
estou gostando muito daqui.

beijim :*

Anônimo disse...

pode então se apaixonar por mim?

Guilherme C. Freitas disse...

que bom que está gostando, Te, e estou gostando tb da sua participação. O que eu sempre quis, através de escritos (tão solitários) foi um pouco de diálogo! e entendo sim o que vc escreve, o que não entendo sinto e penso sobre.

acho que existe muitas forças que agem dentro da gente, todas muito nossas, mas muitas vezes contraditórias, o que uma quer a outra não precisa, ou não quer, uma sabota a outra, etc. a mitologia pessoal e intransponível de cada um. se todos parassem pra escrever a sua...

ps. vixe, anônimos aqui tb...

Anônimo disse...

se o agente transformador é o tempo ("é só aplicar o tempo a qualquer fórmula"), seria preciso então aprender a controlar o tempo - como saber esperar a quantia certa de tempo transcorrido? ou como acelerar até que se chegue no "sentimento" esperado?
Há algum tempo atrás eu pensava como você, hoje eu acho que não, só me enganei - se enganar talvez seja mais fácil e às vezes mais sábio

Guilherme C. Freitas disse...

não acho uma boa, se enganar...

tenho um compromisso de ser sincero comigo mesmo, acima de tudo, ou ao menos buscar isso.

Marisco disse...

É amigão. A alquimia sentimental é totalmente possível. Mas talvez a pedra no caminho sempre esteja lá. E sempre de argila.
Mas o caminho não seria o caminho sem a pedra, acho.

beijos

Luiz Roberto Lins Almeida disse...

sempre a pedra no caminho, ainda que de argila.